Itamar Pereira de Oliveira2 & Ramon Alves de Moraes3
Trabalho realizado pela Faculdade Montes Belos (FMB)
Professor orientador da FMB
Discente do Curso de Agronomia da FMB
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O sistema de Integração Lavoura Pecuária (ILP) consiste de diferentes sistemas produtivos de grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia, implantados na mesma área, em consórcio, em rotação ou em sucessão de culturas, envolvendo o plantio, principalmente, de grãos, e a implantação ou recuperação de pastagens.
O sistema de ILP aperfeiçoa o uso do solo, com aumento da produção de grãos em áreas geralmente cultivadas com pastagens, e aumentando a produtividade das pastagens em decorrência da sua renovação ou aproveitamento da adubação residual da lavoura de grãos. Aliada a pratica conservacionistas, se constitui em uma alternativa econômica e sustentável para recuperar áreas degradadas, como pastagens com baixa produção de forragens e lavouras com problemas de produtividade.
Como esse sistema apresenta resultados positivos, quanto na área de pastagem, quanto na produção de grãos. Em muitos casos, agropecuaristas tem adotado o sistema ILP somente para recuperar ou reformar pastagens. Mas com um programa de adubação, manutenção e com um pastejo controlado tem permitido a utilização da nova pastagem por um período bem maior, com alta produtividade, em relação com o método convencional de formação de pastagens.
È importante ressaltar que, deve haver uma manutenção nessa nova pastagem, pois quanto mais à pastagem se degradar, maiores serão os gastos com a sua recuperação. Casso essa programação não seja executada, a pastagem se degradará em, no máximo, três anos, sendo necessário recupera-la novamente.
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Vantagens da Integração Lavoura Pecuária
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Reduzir custos, pois nesse sistema, as lavouras são utilizadas com vista que a produção de grãos pague, pelo menos em parte, os custos, da recuperação ou da reforma das pastagens.
Melhorar as condições físicas e biológicas do solo. As pastagens deixam quantidades consideráveis de palha sobre o solo e raízes no perfil do solo. Isso proporciona o aumento da matéria orgânica no solo, que é fundamental na melhoria da estrutura física do solo.
Diminuir a dependência por insumos externos. A pastagem recuperada ou reformada no sistema ILP, passa a contribuir em maior proporção na dieta dos animais e na maioria das vezes o próprio grão produzido na propriedade é usado na produção de ração, diminuindo a necessidade de aquisição no mercado.
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Sistemas de Integração Lavoura Pecuária:
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Sistema Barreirão
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A técnica consiste em dar início ao preparo de solo com grade aradora no período seco para diminuir o número de plantas estabelecidas de braquiária e diminuir a resistência ás operações do preparo do solo posteriores. Em seguida, logo após as primeiras chuvas e com umidade adequada, procede-se a uma aração profunda de 30- xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />35 cm com um arado de aiveca. Esta tem como objetivo colocar toda a camada orgânica e sementes de pastagem remanescente à profundidade de não germinação (OLIVEIRA et al.1998). Aos preparos, que muitas vezes não requerem mais gradagens, é possível o plantio de arroz, com sementes em uma das caixas e semente de adubo e Braquiária em outra caixa. A técnica consiste em plantio de arroz em posição mais superficial (2-3 cm) e o adubo e semente de pastagem mais profunda (entre oito e 12 cm).O sistema foi desenvolvido, prioritariamente, para substituição de pastagens de B. decumbens por B. Brizantha. Marandu, que aproveitaria o efeito residual da adubação de arroz na renovação de pastagem. O efeito direto seria a possibilidade de se obter uma pastagem de melhor valor nutricional, aumentar a capacidade de lotação e principalmente amortizar os custos com a venda da produção de grãos de arroz (MACEDO & ZIMMER, 1993).
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Sistema Santa Fé
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Recentemente a Embrapa Arroz e Feijão desenvolveu outro sistema de renovação de pastagem semelhante ao sistema Barreirão, denominado Sistema Santa Fé, que é o consórcio de uma cultura, especialmente o milho, o sorgo, o arroz ou a soja, com forrageiras tropicais, principalmente do gênero Brachiaria, embora as forrageiras do gênero Panicum também sejam bastante utilizados, mesmo com o manejo do consórcio exigindo maiores cuidados. Este sistema apresenta grande vantagem, pois não altera o cronograma de atividades do produtor e não exige equipamentos especiais para sua implantação. O sistema consiste no plantio simultâneo do cereal e da forrageira ou no plantio defasado da forrageira, aproximadamente 20 a 30 dias depois da emergência do cereal. Esse sistema objetiva a produção de grãos ou de forragem do cereal, a produção de pasto no período da seca e a palha para o sistema de plantio direto, embora possa ser empregado em sistema convencional de preparo do solo.
Os procedimentos de plantio da gramínea são os tradicionais. No plantio simultâneo, dependendo da espécie da forrageira, as sementes são misturadas ao adubo do cereal. É importante cuidar para que essa mistura seja feita no dia do plantio e regular a profundidade de deposição do adubo + sementes para maior profundidade, cuidando para que não ultrapasse o limite para que haja emergência das plântulas. É desejável estabelecer uma ou duas linhas adicionais de forrageira nas entrelinhas do cereal para melhor formação da pastagem, o que vai depender do espaçamento e do equipamento de plantio disponível. Outra possibilidade é o plantio defasado da forrageira em 20 a 30 dias depois da emergência do cereal: planta-se o cereal solteiro e, quando ele já estiver estabelecido, faz-se o semeio da forrageira. Outra vez, dependendo do equipamento, esse plantio pode ser com máquinas ou faz-se sobressemeio a lanço.
O manejo do consórcio não é muito diferente do da lavoura solteira. O controle das plantas daninhas e da forrageira no consórcio é da maior importância e deve ser feito com herbicidas específicos para folhas largas e com subdosagens de herbicidas para controle das plantas daninhas de folhas estreitas seletivos ao cereal plantado. Essa subdose de herbicida causa um estresse na forrageira, com paralisação temporária do seu crescimento. Isso permite que ela não concorra por nutrientes e água durante o período crítico de competição entre 45 a 50 dias.
Quando a forrageira se refizer do estresse, o cereal já estará bem desenvolvido, restringindo a penetração de luz. Com isso, a forrageira terá o seu crescimento limitado. No início do secamento das folhas do cereal, a forrageira voltará a crescer em maior velocidade. Então a colheita não deve sofrer atraso, pois a forrageira pode crescer muito e causar transtornos (embuchamento) na colheita. Depois da colheita, deve-se fazer um pastejo rápido de formação para estimular o perfilhamento da forrageira. Em seguida à saída dos animais, a área deve ser vedada por período suficiente para rebrota e crescimento até a fase do pastejo definitivo, que ocorrerá em 60 a 90 dias, dependendo das condições do clima. Caso o cereal seja colhido para ensilagem, a área é vedada em seguida até a época do primeiro pastejo definitivo.
Ao final do período de seca, a pastagem é vedada e, no início das chuvas, dessecada dando início a novo ciclo de consórcio em sistema de plantio direto ou convencional. Em muitos casos, agropecuaristas têm adotado essa tecnologia somente para recuperar ou reformar pastagens. Um programa de adubação de manutenção e de pastejo controlado tem permitido a utilização da nova pastagem por período indeterminado, com alta produtividade. Caso essa programação não seja executada, a nova pastagem se degradará em, no máximo, três anos, sendo necessário recuperá-la novamente, conforme já salientado (ALVARENGA, 2004).
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ALVARENGA, R. C. Integração Lavoura – Pecuária. In: SIMPÓSIO DE PECUÁRIA DE CORTE. 3. Anais... Belo Horizonte - MG: UFMG, CD ROM, 2004.
MACEDO, M.C.M.; ZIMMER, A.H. Sistema Pasto-Lavoura e seus efeitos na produtividade agropecuária. In: SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DE PASTAGEM, 2., Anais... Jaboticabal-SP. UNESP. p. 216-245, 1993.
OLIVEIRA, I. P., KLUTHCOUSKI, J., BALBINO, L.C., YOKOYAMA, L., MAGNABOSCO, C.U., SCARPATI, M.T.V. Sistema Barreirão: emprego de micronutrientes na recuperação de pastagens. Santo António de Goiás: EMBRAPA-CNPAF, 1 998. 36p. (EMBRAPA-CNPAF. Circular Técnica, 30).