O educador da EJA deve estar ciente de sua função no Programa EJA que é o de buscar realizar a interação na sala de aula com as várias realidades dos alunos, ter consciência de que dentro de uma sala de aula da EJA, existe além das diferenças culturais também a variabilidade cronológica que tanto dificulta a interação, mas cabe então ao educador dosar os mecanismos, ou seja, metodologias que venham de encontro à motivação e também à formação integral do ser humano, numa perspectiva sócio interacionaista.
Entretanto, se pensarmos sobre o ensino-aprendizagem buscando analisar a educação numa perspectiva do letramento os conteúdos e projetos a serem desenvolvidos devem respeitar o nível de compreensão e universalizar os conceitos de maneira que eles possam trazer a sua realidade para dentro da sala de aula e quiçá ser agentes ativos na construção de sua aprendizagem. Portanto, a relação que envolve professor/aluno é, essencialmente assimétrica, pois ele comanda o andamento da aula e decide o ponto mais interessante de ser estudado. Demonstrando que dentro de um sistema de dominação, que castiga os menos favorecidos e atende aos interesses das minorias, é necessária uma pedagogia da afetividade e que conscientize e liberte, tanto o opressor (professor) quanto o oprimido (aluno), oportunizando a este se enxergar como sujeito de sua história e da sua própria aprendizagem, buscando a melhoria das condições de vida e a garantia da sua reprodutividade, ou seja, da sua atuação na sociedade de maneira diferenciada, buscando a integração de conhecimentos reais e teóricos a partir da caracterização dos conceitos adquiridos na sala de aula e também no cotidiano de sua vida diária, tanto os já adquiridos, como os do presente. E, assim tentamos mostrar que o homem ao mudar a sua realidade, também vai se transformando na medida em que ele se integra ao seu contexto e se compromete, ele vai construindo sua própria identidade e reconhece que não se vive em um eterno presente e, sim em um tempo, feito de hoje, ontem e de amanhã, permitindo tomar consciência de sua historicidade e de seu papel perante a sociedade contemporânea.
A partir dessa realidade de vida o alfabetizando jovem e adulto, toma consciência crítica das estruturas de conduta num contexto de sala de aula, permitindo-o, adquirir uma nova visão de mundo que evolui de sua consciência mágica ou ingênua para uma consciência crítica. Para isto, torna necessário que o aluno tome consciência de seu papel enquanto sujeito dentro do espaço escolar e também como ápice da transformação de realidades a partir da responsabilização das atitudes tomadas durante seu percurso escolar e, também de vida.
Nesse caminhar, é que encontramos Paulo Freire e sua proposta de alfabetização que atende a todos os pressupostos que se faz presente nessa modalidade de ensino.
Não sendo, possível discutir a EJA sem reportar-se às idéias de Paulo Freire que tanto contribuiu na EJA, considerando o alfabetizando como sujeito de seu saber, no âmbito de sua proposta pedagógica pautada em relações dialógicas de compreensão e solidariedade, busca-se também ressaltar com grande exatidão a integração entre Paulo Freire e Vygotsky, pois este demonstra que a educação deve ser pautada na realidade do aluno, buscando uma integração sócio-interacionista e que o educador deve desenvolver uma Zona de Desenvolvimento Proximal que proporciona uma melhor interação aluno/educador. Possibilitando uma integração sujeito/objeto/educador, ou seja, o educador deve buscar analisar e interagir os objetivos dos conteúdos com a realidade do aluno, usando de um dinamismo que fortaleça essa relação ambígua e ao mesmo tempo retilínea do aluno com o conhecimento.
Paulo Freire não era um mero espectador da história de seu povo, de modo que suas idéias trazem claras e explícitas as marcas da experiência vivida e, soube reconhecer com clareza as prioridades nesta etapa crucial assinalada pela política das classes populares, usando desta realidade ponto crucial da discussão da educação pautada em análise até os dias atuais.
A sala de aula na EJA é o espaço de encontro entre alunos, professor (a), o conhecimento e a aprendizagem. Nela, há vínculos de amizade, cooperação e confiança que se constroem e se consolidam, animando o processo de interação social entre as trocas comunicativas e as conversas de corredor. E, que vista dessa forma, a sala de aula é pulsante, viva, integrativa e dinâmica. Daí a importância do educador da EJA valorizar o saber cotidiano e, afirmar as histórias que os alunos contam, histórias baseadas em suas próprias experiências vividas e projetadas.
A participação livre e crítica dos alunos é um dos princípios que é proposto por Freire para a EJA, onde reúne um trabalho pela conquista da linguagem e que o diálogo é condição essencial de uma tarefa de coordenar e, jamais influir ou impor perante os alunos. Posto diante do mundo o alfabetizando estabelece uma relação sujeito-objeto da qual nasce o seu conhecimento e que lhe é expressa por uma linguagem própria e informal.
Esses alunos são marcados por "carências" socioeconômicas, culturais, materiais, afetivas e por falta de participação nos processos de decisão dos rumos que serão dados ao seu destino profissional e societário. Mas, são também indivíduos que voltam à escola para aprender, visando, talvez, uma melhor qualidade de vida para si e também para suas famílias.
Na nossa realidade, muitas vezes, não temos paciência com aquela pessoa que demora no caixa eletrônico, criticamos um bilhete mal escrito, nos incomodamos com uma pessoa que numa fila está perdida por não saber ler as orientações numa placa, da pessoa que é alfabetizada instrumentalmente, ou seja, sabe ler e escrever mas não compreende o que lê, daí a diferença entre alfabetização e letramento, este ultimo contempla e possibilita uma aprendizagem significativa, ou seja, o educador percorre não somente nas áreas de instrução do conhecimento mas divaga na construção ativa de consciências renovadoras de vida.
Na EJA precisamos levar em conta que o adulto necessita de uma inserção social diferente da criança. Por essa razão, o papel do educador nesta modalidade de ensino é extremamente importante, pois esses jovens e adultos que possuem um histórico escolar permeado por problemas, mas não só no campo cognitivo, mas no campo social, econômico e emocional. Razão essa, que os processos pedagógicos que estão, diretamente, ligados ao sistema educacional nessa modalidade de ensino deve ter uma maior preocupação com a capacitação desses profissionais para trabalhar na EJA, para que o ensino-aprendizagem desses alunos esteja comprometido com a transformação das reais condições e possibilidades de vida. Para que essa transformação ocorra e haja adequado atendimento aos alunos, principalmente, considerando as novas condições sociais e econômicas exigidas pela sociedade, necessita-se de pessoas com VERSATILIDADE e EXATIDÃO, capazes de compreender o processo de trabalho na EJA como um todo.
Considerando-se que a análise deste artigo é baseada num espaço interacional da sala de aula e, trabalhar com o processo de alfabetização e letramento de adultos que é diferente do ensino regular em sua estrutura, metodologia e duração do tempo, é fundamental reconhecermos a escola como instituição, conforme os ditames deste processo comunicativo.
Esse caminho de alfabetizar e letrar pessoas jovens e adultas é cheio de expectativas, tanto para os estudantes como para os educadores, pois ambos se colocam frente às suas próprias limitações, em um processo de construção e reconstrução de suas identidades. Por vez, essas identidades são modificadas, mediante modelos de letramento que visam à filiação de jovens e adultos analfabetos a um outro grupo social, isto é, que visa à identidade desses alunos com os valores culturais, morais e crenças dos grupos que usam a escrita para fazer sentido da situação nas práticas cotidianas. O educador deve ter consciência que ao colocar uma visão holística sobre essa modalidade de ensino na Educação, a escola tem o importante papel mediante as diretrizes e bases educacionais nas propostas pedagógicas, para buscar melhorias e reajuste no quadro dos profissionais da área de ensino-aprendizagem.
Concebemos, desse modo, que é papel do educador favorecer situações de reflexão acerca das condições de participação social desses indivíduos. Por outro lado, mesmo considerando que o aluno jovem e adulto tem uma participação efetiva na sociedade e nos diversos grupos sociais, o acesso ao domínio de cada princípio é limitado porque ele não dispõe de ferramentas que possibilitem tais participações, principalmente o domínio dos mecanismos de leitura e escrita e, alguns conhecimentos textuais são necessários a uma interação na sala de aula. Por isso a educação de qualidade nesta modalidade de ensino é possível e, se torna real a partir da execução dos planos e projetos necessários para a construção de uma educação de qualidade, pautada no dinamismo que Paulo Freire aponta como fundamental e Vygotsky complementa como primordial para a construção do conhecimento.
Referências Bibliográficas
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